Os impactos da Pandemia para a economia e empresas

Setor Plástico

Por Kramer Silva – FMB Investimentos

No início deste mês as bolsas mundiais foram intensamente impactadas pela contaminação do Corona Vírus em mais de 190 países do Globo. Logo em seguida a guerra de preços do petróleo no mercado internacional, principalmente entre a Rússia e Arábia Saudita, líder da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que não chegaram a um acordo quanto aos cortes na produção de petróleo como tentativa de estabilizar os preços. Sendo assim a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, decidiu reduzir os preços e aumentar a quantidade produzida fazendo com que o preço da commodity despencasse.

Como consequência os agentes do mercado modificaram radicalmente suas expectativas quanto aos indicadores econômicos e para os resultados das empresas. O sentimento de desaquecimento da economia global pode trazer consequências relevantes para o fluxo financeiro das empresas, níveis de endividamento e disponibilidade para pagamento de dívida em real ou dólar.

Segundo o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a expectativa do PIB para o final de 2020 (Produto Interno Bruto) caiu de 2,2% há 4 semanas para 1,48% na última divulgação do dia 23/03/2020, a projeção do câmbio (R$ / USD) também subiu de R$ 4,15 para R$ 4,50. Diante da crise instalada o comitê de política monetária optou por mais um corte na taxa básica de juros Selic levando-a para 3,75% ao ano. De acordo com o comunicado a pandemia causada pelo COVID-19 está provocando uma desaceleração do crescimento global, impactando o preço das commodities e gerando volatilidade nos ativos do mercado.

Para as empresas, segundo relatório “Os impactos do coronavírus para as empresas” elaborado pela equipe de Research da XP Investimentos, os principais riscos são o aumento no nível de alavancagem medido pelo indicador Dívida Líquida/EBITDA. O segundo risco é a redução na liquidez corrente, ou seja, uma menor disponibilidade de caixa para pagamento das dívidas de curto prazo. Por último, o dólar em forte alta pode pressionar ainda mais as empresas com endividamento ou custos atrelados à moeda.