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É um pássaro? Um avião? Não, é o superplástico!

TPBNews_052014_Superplastico“Pode chama-lo de superplástico, realmente se assemelha a um”, foi a primeira frase proferida pelo Professor Dr. Alcides Lopes Leão, do Departamento de Recursos Naturais da Unesp, que criou um composto plástico feito a partir de fibras vegetais que promete revolucionar a indústria. O material, batizado de nano-celulose, pode ser modificado para servir a todas as indústrias, inclusive ser reforçado e assemelhar-se às fibras de carbono e kevlar.

Dr. Alcides Leão iniciou seu estudo em 2009, na época em parceria com a Quattor Petroquímica S. A. Brasil (hoje Braskem). Após o primeiro convênio, renovou com a LyondellBasell, indústria de polímeros, até o ano de 2013. “Desde então, estamos em voo solo”, conta o pesquisador. Qualquer material residual orgânico (com “lignocelulose”, ou seja, com estrutura orgânica fibrosa) pode ser utilizado como matéria prima para a confecção da substância, mas seu trabalho, no momento, é concentrado em resíduos agroindustriais, como lodo de esgoto de celulose, restos de culturas de abacaxi e banana, plantas fibrosas como sisal, curauá e coco.

A substância criada pelo cientista tem aplicação universal, podendo ser utilizada em diversos produtos com densidades diferentes. “Todos os plásticos podem ser melhorados com a adição da nano celulose. Inclusive, dependendo da matriz e do nível de reforço, é possível obter similares às fibras de kevlar e carbono, fazendo seu uso irrestrito na indústria plástica”, explica Leão. Além da indústria automotiva, a substância também é indicada para cosméticos, produtos eróticos, embalagens, fibras e biomateriais para medicina e odontologia.

A descoberta do Dr. Alcides Leão está levando sua substância para o mundo, pois sua aplicação é universal. “Estamos enviando amostras para a China para uma demanda de painéis de veículos. Serão dois milhões de unidades por ano, e há um interesse fortíssimo”, aponta o pesquisador.

Alcides começou sua história com o plástico em 1995, nos EUA, no pós doutorado. Sua linha de pesquisa era focada em compósitos termoplásticos (compósito é qualquer material misto composto a partir da mistura de diferentes materiais) reforçados com fibras naturais para o desenvolvimento de peças automotivas com base em polipropileno com fibras materiais. Trabalhou com a Mercedes Benz, GM e posteriormente com a Volkswagen. “A redução da pegada de carbono contribui para a mitigação dos impactos climáticos e o adensamento da cadeia produtiva de produtos agroindustriais, com a produção de maior valor agregado. São produtos sustentáveis, renováveis, nacionais e podem ser biodegradáveis”, conclui.

No final da entrevista, Dr. Alcides deixou uma mensagem sobre a necessidade de sempre inovar.“Jamais se esqueça da maturidade de seus produtos e da curva de queda. Como disse Leonardo da Vinci, você faz coisas, muitas falham, algumas funcionam, e das que funcionam, muitos vão copiar. O segredo é sempre fazer algo novo. Ele disse isso em 1500 e foi o precursor das patentes”, pontua o cientista.

 

Fonte: Think Plastic Brazil