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Entrevista: Marco Wydra, gerente executivo do Programa Think Plastic Brazil

“Competitividade está intimamente ligada à internacionalização”

Nos anos 1960, o filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan via um mundo cada vez mais integrado no qual as informações circulariam com imensa velocidade. Ele dizia que o mundo se transformaria numa aldeia global – e nem os aviões eram tão rápidos, tampouco a internet existia. Hoje, olhar para o que pessoas e empresas fazem mundo afora é essencial para entendermos a nós mesmos.

201312_MarcoWydraPara Marco Wydra, internacionalizar e competir são palavras de ordem que sustentam a atividade do projeto. A competitividade está intimamente ligada à internacionalização, diz ele. “É questão de entender o que o mundo está demandando, o que está fazendo.”

O executivo é, pessoalmente, um cidadão global. Estudou comércio internacional na Alemanha, onde nasceu. Fez MBA no Reino Unido, onde também trabalhou numa consultoria americana. No Brasil desde 2001, ajuda a promover empresas brasileiras do plástico mundo afora.

A aldeia global não poderia fazer mais sentido do que no mundo atual, em que estamos todos interligados. O segredo, então, é estar aberto às tendências, como afirma Wydra em entrevista sobre os dez anos do Think Plastic Brazil. “O mundo está ficando cada vez menor, todo mundo pode acompanhar pela internet ou em viagens de prospecção as tendências”, explica.

Nesse cenário, a competitividade vale não só para quem exporta, mas para o mercado nacional, “porque se uma empresa não consegue ser competitiva aqui no Brasil contra as importações, ela também não vai conseguir exportar e vice-versa”. Durante a entrevista, ele lembra das atividades do início do Programa, que começou como um braço de promoção comercial, e hoje fornece inteligência de mercado ao setor plástico brasileiro, ou “capacitação”, como ele gosta de afirmar.

Leia os principais trechos da entrevista com Marco Wydra:

Nestes dez anos de Programa, como vê as empresas do setor em termos de capacidade de exportação?

Hoje mais empresas sentem necessidade de exportar e de investir na exportação de forma continuada. Dez anos atrás, começamos timidamente, como é natural, com ferramentas de promoção comercial, projetos comprador e vendedor; depois incluímos os ciclos de capacitação; recentemente, instalamos um departamento de Inteligência Comercial. É um trabalho bonito, porque essa trajetória mostra que houve aprendizado. Dez anos atrás, começávamos como um programa de exportação, e hoje somos um provedor de inteligência comercial. Isso porque para as empresas poderem exportar, se internacionalizar e se consolidar no exterior, elas têm de ter um apoio de inteligência.

Que tipo de capacitação é importante?

O Programa está proporcionando um ciclo virtuoso para a empresa brasileira ao oferecer inputs de promoção comercial e, ao mesmo tempo, se preocupar com a capacitação e com o suporte operacional. Esse é um ciclo que deve ser integrado para que as empresas associadas possam desbravar o mercado internacional. Temos uma área de inteligência, que se soma a uma grade de cursos, seminários e palestras voltados a questões práticas, como formação de preço para exportação, seguro de crédito, balance scorecard, controle de custo, marketing internacional etc. Além disso, as empresas devem ficar atentas a mudanças globais, a tendências de consumo, novos produtos e estilo de vida. O mundo todo vem passando por um cenário muito adverso, de crise econômica e financeira, a gota d’água para as empresas entenderem que redução de custos tem a ver com a utilização dos materiais nos produtos, mas sem prejuízo da qualidade.

Em que sentido é preciso estar antenado?

Dou exemplo: houve no exterior uma explosão de demanda por produtos de silicone. Não produzimos esses itens no Brasil. Mas lá fora, em mercados como EUA e Europa, esse material é usado para fabricar os mais variados utensílios para cozinha, principalmente. Essas são mudanças e tendências que os nossos associados têm que acompanhar. Não estou falando que eles devem começar a fazer esses produtos agora, mas é preciso ficar atento a essa evolução e tomar uma decisão de produzir ou não – e se não produzir, tentar fazer algo parecido com um material semelhante.

Onde entra o conhecimento do mercado para o qual se quer vender?

Dentro da nossa inteligência comercial, temos acesso a sistemas de monitoramento de tendências e bancos de dados. Isso nos ajuda a disseminar esse conhecimento junto aos associados. Além disso, também convidamos palestrantes internacionais que vêm ao Brasil e falam sobre assuntos que interessam aos nossos associados. Trouxemos, neste ano, o Perry Reynolds, vice-presidente da International Housewares Association (IHA), que sabe tudo o que acontece na área varejista.  Estamos muito ligados aos acontecimentos no mundo todo em nossa área, principalmente nos nossos mercados-alvos.

Quais são, hoje, os principais mercados-alvos brasileiros?

O principal mercado dos nossos associados e da economia do nosso setor é a América do Sul. Em breve, veremos aumentar também os investimentos no mercado africano, porque é uma região que está se mostrando bastante receptiva e demandante de embalagens e utilidades domésticas plásticas.

Em meio às mudanças globais, qual deve ser a postura das empresas?

O ponto mais marcante, sobre o qual falamos sempre, é competitividade. Nós estamos falando para todas as empresas brasileiras que a competitividade vale tanto para a exportação quanto para o mercado nacional. Porque se uma empresa não consegue ser competitiva aqui no Brasil contra as importações, ela também não vai conseguir exportar e vice-versa. Isso mostra a necessidade de capacitar e ficar antenado com o mundo. A competitividade está muito ligada à internacionalização e tudo está interligado. A exportação não é uma área de fora da empresa. Ao contrário, ela tem que estar muito bem integrada porque é uma área transversal. Sabemos que há muitas empresas no Brasil que são grandes exportadoras, internacionalizadas, mas sabemos também que esse número tem como crescer muito ainda.

Como é possível usar os conhecimentos de exportação para concorrer no mercado interno?

É possível pegar inspirações no mundo e lançar isso no mercado brasileiro. A exportação propriamente dita não é, somente, vender ao exterior, mas também entender o que está sendo feito fora e projetar a utilização desse produto no mercado nacional. O mundo está ficando cada vez menor, todo mundo pode acompanhar pela internet ou em viagens de prospecção essas tendências. É tudo uma questão de entender o que o mundo está demandando, o que as empresas estão fazendo. Além disso, a exposição [ao mercado global] pode também gerar novos produtos ao mercado brasileiro. E vou além: ajuda a ter um benchmark, ajuda a entender como os concorrentes estão conseguindo desovar os produtos num mercado para o qual gostaríamos de vender, ajuda a pensar em novos diferenciais competitivos, que é outra palavra-chave para concorrer no mercado externo – é o design, são produtos inovadores, é sustentabilidade, são serviços e bom atendimento, é a logística de entrega, é a forma de pagamento e o prazo? A empresa precisa descobrir qual é o seu diferencial.

Como você olha para os próximos anos do Programa Think Plastic Brazil?

Sustentabilidade é outra questão para as empresas daqui em diante. Essa é uma área que tem muito potencial de exploração no Brasil. Um dos nossos próximos projetos é desenvolver um diagnóstico do setor plástico no Brasil para se chegar a diretrizes que apontam rumos que devemos tomar nesse sentido, analisando também a demanda internacional e o que ela necessita em termos de sustentabilidade, e que atendam os três pilares (os aspectos econômico, social e ambiental). Vamos analisar as leis que existem no Brasil, as que existem no mundo e chegar a diretrizes. Idealmente há uma estratégia de sustentabilidade, e isso tudo está ligado à competitividade. Investir nisso ajuda as empresas a ganhar destaque. Esse é o nosso trabalho – proporcionar um conceito que pode tornar a empresa mais rentável, mais robusta e mais capaz de ganhar mercado internacional.

 

Fonte: Think Plastic Brazil