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‘Itens básicos começam a dar lugar à funcionalidade e à estética’, diz executivo de marketing da International Housewares Association

201309_01_PerryReynoldsUm quindim pegou exatamente no calcanhar de aquiles do americano Perry Reynolds. “Você quer me derrubar”, disse ao repórter, que ofereceu que ele pegasse outro quitute. “Ainda tenho uma palestra para fazer”, completou, antes de mostrar a um público de empresários, importadores e exportadores de Utilidades Domésticas as tendências do mercado. Ele é vice-presidente de marketing da International Housewares Association (IHA), entidade sem fins lucrativos que reúne 1600 empresas da cadeia de produção de UD e decoração, e diz que o Brasil tem uma indústria pujante e, apesar da concorrência chinesa, tem grande potencial de crescimento nos próximos anos.

A qualidade, diz ele, é um desses aspectos, assim como o design. Em entrevista à reportagem do Think Plastic Brazil, Reynolds disse que o design é essencial para agregar valor.

ENTREVISTA

Qual é a importância de uma feira para o setor?

De que outra maneira poderíamos saber quem fabrica o quê e qual comprador precisa do quê?Trade shows são necessários para que compradores e vendedores possam mostrar seus produtos e fechar negócio. Uma vez eu perguntei para uma empresa vendedora se era mais frequente o comprador vir se apresentar e pedir algo ou o vendedor mostrar seus produtos, e em 70% dos casos o vendedor vai até o comprador. O Think Plastic Brazil está fazendo um excelente trabalho em colocar essas duas partes juntas. Em suma, é colocar compradores e vendedores para que aprendam mais um sobre o outro. Esse encontro nunca é um tempo perdido

O sr. é quem sabe de todas as tendências do mercado de plástico e utilidades domésticas. De que modo obtém essas informações?

Tenho trabalhado para a IHA há 16 anos, e antes disso já fui comprador e também desenvolvi negócios no setor. Então já estou há bastante tempo na área. Eu passo muito tempo na companhia de varejistas, principalmente no mercado dos EUA, buscando descobrir o que eles precisam, que tipo de produto é bom para eles, como os negócios estão caminhando, e isso nos ajuda a organizar um evento que é voltado não ao lucro mas ao benefício de compradores e vendedores, que os faça ter sucesso. Nosso principal negócio é realizar esse trade show [a International Home & Housewares Show], de maneira que nossa associação sem fins lucrativos trabalhe em prol de compradores e vendedores. Em vez de tentarmos saber o que os vendedores devem trazer, buscamos descobrir o que os compradores querem ver.

Quais as principais tendências do setor?

Entre as coisas que realmente estão levando a um crescimento do setor há um movimento, que é mais acentuado nos mercados mais maduros, de mudança da venda de produtos mais básicos para itens com grande apelo de design – e por design eu não me refiro somente ao estético, mas ao totalmente funcional. Há muitas companhias que chegaram ao mercado americano, muitas delas estrangeiras, trazendo produtos com um diferencial de design. Nós queremos empresas como essas, que elas venham aos EUA.

Você acha que o design é uma maneira de agregar valor a um produto?

Sim. Basta olhar para o que os lojistas estão buscando atualmente. Na época em que eu era um comprador, [as empresas] procuravam bons preços. A partir do momento em que o preço já não é mais diferencial para um produto, é preciso achar outra maneira de se diferenciar. Um dos jeitos de fazer isso é ganhar boa reputação com peças de design atraente. No mercado de varejo dos EUA, por exemplo, a Target [segunda maior varejista, atrás somente do Walmart] se tornou a líder do design de massa. Um ano atrás, eles lançaram uma linha de produtos, principalmente de vestuário, desenvolvida com o apoio de designers e conseguiram vendê-la em um dia. O que eles conseguiram foi encontrar a conexão exata entre estilo de um produto e seu preço. Nos EUA, os preços fazem mais diferença para as famílias de menor renda. Enquanto as famílias com maior renda continuam a olhar o design.

E o que os fabricantes brasileiros deveriam aprender ao olhar para o mercado americano?

O fornecedor deve sempre buscar informações de inteligência de mercado, aprender a dinâmica do país, quem são os parceiros e fornecedores principais naquele local e saber onde ou para quem seu produto é apropriado. O trabalho é o de tentar entender onde o negócio pode ter os melhores retornos. Varejistas americanos, por exemplo, prezam por parceiros que possam lhes dar respostas rápidas.

Como acha que o Brasil deveria olhar para a China?

Sabendo que o grande diferencial da China é, basicamente, o preço, é possível saber como agir. Nos EUA, há uma parcela da população, por exemplo, que é altamente resistente a comprar produtos chineses. Se a China é um bom competidor [em preço], o que eu posso fazer melhor para me diferenciar? Dá para apostar em design, estilo, cores, flexibilidade [na entrega], boas parcerias e muitas outras proposições de valor que não seja preço.

Qual é a sua mensagem para as empresas brasileiras?

Acho que há uma grande gama de oportunidades de negócios e de aprendizado para que os produtos brasileiros sejam vendidos ao redor do mundo. Pelo tempo que passei com alguns fornecedores e fabricantes, há uma vontade de entender rapidamente sobre o mercado global e sei também que a América Latina já é um grande mercado para o Brasil.

Conheça o site da IHA, organizadora da feira Home & Housewares, que o Think Plastic vai participar pela 10ª vez em 2014: www.housewares.org

 

Fonte: Think Plastic Brazil