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Novo membro do Mercosul, Venezuela tem espaço para ampliar negócios com Brasil

Nem só de misses e de petróleo vive a Venezuela. Na verdade, muito mais de petróleo que de misses, já que o ouro negro é responsável por 95% do faturamento com exportações e 12% de todo o produto interno bruto (PIB) do país. Um dos grandes players da América Latina, o vizinho é uma promessa para a indústria brasileira por seu potencial de consumo – que beneficia uma grande variedade de setores, incluindo o setor plástico brasileiro, por demandar não só produtos de qualidade, como a preços competitivos e com melhores taxas de entrega do que os produtos asiáticos.

201309_01_VenezuelaVenezuela e Brasil têm uma relação comercial bastante próxima, muito embora a corrente de comércio tenha desacelerado desde 2012. O Brasil está no “Top 3” das exportações venezuelanas. De janeiro a julho deste ano, as exportações brasileiras para o vizinho somaram US$ 2,3 bilhões. O número representa uma fatia de 1,7% do total exportado pelo Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Comércio e Indústria (veja tabela).

Há um enorme potencial a ser explorado. A grande questão é como os dois países podem se beneficiar dos acordos de comércio do Mercosul. Em 2012, a Venezuela recebeu o aval de Brasil, Argentina e Uruguai para ser membro do bloco comercial sul-americano. O Paraguai, que era contrário ao novo player, está suspenso do grupo desde o impeachment de Fernando Lugo ano passado, e não pode votar. Para especialistas em comércio exterior, ainda é cedo para avaliar se o bloco tem condições de se manter saudável após esses impasses.

Tanto membros das indústrias quanto associações setoriais da cadeia de plástico dizem que não conseguem prever como os negócios vão se comportar daqui pra frente. Um analista da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) ouvido pela Think Plastic Brazil diz que o mercado consumidor venezuelano é grande, mas a situação política é incerta.

Dados do governo mostram que o PIB per capita é alto (US$ 13,8 mil) – maior que o do Brasil, de US$ 12,1 mil.

Lucio Mota, gerente de vendas internacionais do grupo Martiplast, dona das marcas Ou e Yoi, avalia que o momento é de espera. O principal motivo é a instabilidade política gerada pela troca de presidente, após a morte de Hugo Chávez, em março deste ano, e a entrada de Nicolás Maduro.

Claudio Andreis, gerente geral de comércio exterior da Terphane, que possui fábrica no Brasil e nos EUA, avalia que a preocupação é “como planejar”. “Ficamos na espera de o importador conseguir a licença [de importação], o que chega a levar mais de seis meses”, conta. “Como temos clientes tradicionais, mantemos contato e temos representantes na região”, diz. Para ele, há potencial no mercado.

Em termos práticos, uma medida do governo para controlar a entrada de dólares no país foi a responsável pela queda no comércio com os vizinhos. “O governo regula a quantidade de dólar que os importadores podem ter no país e isso aumenta o trabalho burocrático para entregar produtos”, afirma Mota. Mas ele é otimista: “É um momento de incerteza, mas queremos investir bastante nesse mercado porque tem grande potencial.”

A expectativa é que, com a adesão ao Mercosul, impostos sejam reduzidos, assim como a burocracia para inserir produtos no mercado. “O aumento do comércio vai acontecer. Ainda não nesse ano, mas no ano que vem com certeza”, pontua.


 

BRASIL E SEUS PARCEIROS
Exportações brasileiras com os dez maiores parceiros (Em US$ Bilhões-FOB); ordenado pela participação no total nos sete primeiros meses de 2013

Destino exportações 2002
(jan-dez)
2012
(jan-dez)
Participação no total
(2012, em %)
2013
(jan-jul)
Participação no total
(2013, em %)
1. China 2,5 41,2 17 27 20
2. EUA 15,4 26,7 11 13,7 10,1
3. Argentina 2,3 18 7,4 11,2 8,3
4. Países Baixos* 3,2 15 6,2 8,8 6,5
5. Japão 2,1 8 3,3 4,5 3,3
6. Alemanha 2,5 7,3 3 3,6 2,7
7. Coreia do Sul** 2,7 2
8. Chile 1,5 4,6 1,9 2,4 1,8
9. Itália 1,8 4,6 1,9 2,4 1,8
10. Venezuela 0,8 5,1 2,1 2,3 1,7

Fonte: Ministério das Relações Exteriores; Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Aliceweb
* Os valores relativos aos Países Baixos são tradicionalmente superestimados, em razão da utilização do Porto de Roterdã, que funciona como uma espécie de centro distribuidor de mercadorias destinadas a outros países, principalmente da Europa.
** Coreia do Sul estava fora dos dez maiores parceiros, de 2002 a 2012. 

DE QUEM COMPRAMOS
Países de origem das importações brasileiras, ordenadas pelo valor de 2013

País de origem Valor negociado em 2012
(em US$ Bilhões)
Valor negociado em 2013
(em US$ Bilhões)(jan-jul)
1. China 34,24 20,9
2. EUA 32,35 20,5
3. Argentina 16,4 10,2
4. Alemanha 14,2 8,7
5. Nigéria 8 5,8
6. Coreia do Sul 9 5,7
7. Índia * 4,2
8. Japão 7,7 4
9. Itália 6,1 3,9
10. França 5,9 3,9

Fonte: Ministério das Relações Exteriores; Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Aliceweb
* Índia estava fora dos dez maiores parceiros de quem o Brasil importa, em 2012. 

Fonte: Think Plastic Brazil